Fernanda Porto
 
 
 
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Fernanda Porto se separa do modismo drum'n'bass
Folha de São Paulo

Fernanda Porto
Maxim

Conheça um pouco mais Fernanda Porto
Revista Época

Texto de Koellreutter sobre o CD Demo que virou o primeiro CD "Fernanda Porto"


Críticas
diversos veículos internacionais

 
 
 
 
 
 
 

Conheça um pouco mais Fernanda Porto
Revista Época: 18.11.02

Fernanda Porto foi a grande revelação do Skol Beats - o maior festival de música eletrônica do país - este ano. Quem a conhecia apenas pelo vocal nas produções do DJ Patife surpreendeu-se com a performance da cantora. Enfim, chegou sua hora. E não foi à toa que ela escolheu, para inserir quase no fim do CD, um famoso texto da Bíblia que diz: 'Tudo neste mundo tem o seu tempo/ Cada coisa tem a sua ocasião'. Há muito quem acompanha Fernanda na noite paulistana esperava um disco. Não apenas pelo currículo invejável para qualquer cantora. Seja tocando violão, saxofone, piano ou pilotando um aparato eletrônico, o que não falta nela é criatividade. 'Já tive quase uma grande oportunidade para lançar o disco antes. Se eu achasse que o trabalho merecia tinha dado um jeito de lançá-lo', confessa. 'Achava minhas canções muito dispersivas, estranhas demais, não tinham fluência. Uma boa música não precisa de arranjos.'

Entre um show e outro com sua banda, que vinha fazendo desde o final dos anos 80, Fernanda tinha o estímulo de compor para trilhas de filmes. Fez, entre outras, as de 'O Velho - A História de Luiz Carlos Prestes', de Toni Venturi, e 'Vítimas da Vitória', de Berenice Mendes, com a qual foi premiada no Festival de Cinema de Brasília de 1997. Ela, que compõe com sofisticação jazzística e erudita, começou a carreira como cantora. Seu mestre Hans Joachim Koellreuter observou certa vez: 'Ela conseguiu contribuir com algo precioso ao acervo da música brasileira de nossa época. O seu ciclo de cantos distingue-se por uma distribuição inteligente e coerente dos valores de redundância e informação, na música e na poesia.'

Formada em canto lírico com Leila Farah, Fernanda aprendeu francês e alemão para melhor interpretar óperas. Participou do Concurso Jovens Concertistas - no qual causou ótimas impressões interpretando 'Bachianas Brasileiras n.º 5', de Villa-Lobos -, mas inscreveu-se sem consultar a professora, de quem escondia as investidas na música popular. 'Ela achava que estragava a voz', conta. Fernanda fez a transição sem traumas de um gênero para o outro e a técnica adquirida é parte evidente da beleza de seu canto. 'Busco o lírico porque isso faz com que conduza a voz para o agudo de maneira suave', explica. Quando fala sua voz é grave, mas o canto é de soprano ligeiro. O aprendizado ('uma grande viagem') com Koellreuter, mestre da música atonal, e o curso de análise harmônica, que fez com Claudio Leal deram consistência ao seu lado compositora. 'Não foi nada acadêmico', diz. 'A maior contribuição disso para eu compor é a coisa das texturas, que tem muito na música contemporânea.'

Ao mesmo tempo que desenvolveu a técnica, Fernanda passou gradativamente a se interessar pela tecnologia musical e hoje ela tem o computador como principal ferramenta. A saborosa letra de 'Sambassim' é uma espécie de receita de sua experiência com a tecnologia. Conta como se pode fazer um samba sem ser do ramo. Na prática, instrumentos como cuíca e tamborim, que ela nunca tocou, foram sampleados e inseridos na música. Parece fácil, mas chegar a esse resultado não é para qualquer um. Foi com essa música que ela chegou às pistas de Londres, depois de tê-la incluída num EP-coletânea da V-Records, especializada em drum'n'bass. Um dos maiores nomes do gênero, Roni Size, gostou tanto que quase fez um remix dela.

Quando começou a se interessar pelo drum'n'bass - a variação mais fragmentada da música eletrônica - Fernanda chegou a ir a Londres para sentir sua força na origem. 'A primeira coisa que percebi é que era para se ouvir muito alto. Mas não era bem aquilo o que eu queria fazer.' De volta ao Brasil, misturou-o com ritmos locais, como samba, bossa nova e maracatu (caso de 'Baque Virado', uma das boas faixas do CD). A letra amalucada de 'Eletricidade', outra das melhores, cita um verso de 'Detalhes', de Roberto e Erasmo Carlos. 'Quando você usa um ingrediente que faz parte do universo das pessoas, isso acaba sendo um convite', diz. 'Nos shows que fiz no Nordeste, o pessoal achava estranho no começo, mas depois acabava dançando.' Musa do gênero no Brasil, depois do sucesso no Skol Beats, Fernanda pegou a levada mais sutil do drum'n'bass. Suas músicas delicadas caem melhor para se ouvir sentado.