Fernanda Porto
 
 
 
  Novo álbum
Época online

Fernanda Porto: entre a MPB e a música eletrônica
Terra

Fernanda Porto: Nuove geografie per il sound made in Brazil
Revista Acid Jazz (Itália)

Entrevista sobre a trilha do filme Cabra-cega
Olhar Imaginário

 
 
 
 
 
 
 

Fernanda Porto: entre a MPB e a música eletrônica
Terra: 22.08.03
Renato Beolchi

Se a mistura entre MPB e música eletrônica já pode ser considerada um gênero concreto, então esse estilo já tem uma primeira dama. Fernanda Porto conseguiu, com a gravação de seu primeiro CD, algo que talvez nem almejasse: levar a bossa-eletrônica ao nível de um sucesso absoluto de vendas. Isso porque o álbum Fernanda Porto já vendeu mais de 80 mil cópias apenas no Brasil, e a trilha de boas vendagens começa a alcançar os EUA, Europa e Japão.

O fato de Fernanda conseguir tanto sucesso em seu primeiro disco ser confundido com fama passageira de verão não passa de um ledo engano. A formação musical, a carreira e os trabalhos anteriores de Fernanda Porto mostram que o sucesso atual era quase inevitável.

Falando com extrema simplicidade, Fernanda Porto conversou com o Portal Terra direto de Miami onde trabalha em jam sessions com integrantes do Living Colour. Num bate-papo descontraído, Fernanda falou sobre a indicação ao Grammy Latino na categoria de artista revelação, o início da carreira e os projetos do futuro.

Como você se sente sendo indicada para uma das categorias principais do Grammy Latino?
Muito feliz. Eu realmente não esperava. Acho que a música brasileira vive um momento muito importante. É muito bom ver a música do Brasil novamente presente em premiações como essa. É um renascimento muito importante.

Qual o impacto profissional que essa indicação, e uma eventual vitória, podem ter na sua carreira?
Eu ainda não sei. Na verdade eu não dou tanta importância para o prêmio em si. Eu não espero que vá ganhar. Estou concorrendo com muita gente boa. Acho que o artista tem que construir algo novo todo dia, por isso não quero me prender a esse prêmio. Acho legal essa indicação no sentido de me abrir mais portas aqui nos EUA, quem sabe role um green card (visto permanente para estrangeiros).

Os Tribalistas também receberam uma indicação à uma categoria principal do Grammy com uma mistura de MPB e batidas eletrônicas. Você encara essas indicações como uma confirmação de que essa combinação representa uma nova fase da música brasileira?
Sem dúvida. Acredito que a gente não pode se fechar. A música eletrônica virou um denominador comum da cultura brasileira. Um tempo atrás muitos DJs estrangeiros estavam remixando a música brasileira. Nada mais natural que nós também fizéssemos o mesmo.

Assim como aconteceu com DJ Marky e o DJ Patife, você acredita que esse seja um caminho natural para os DJs brasileiros?
Em 2000 quando o Patife esteve em Londres e Sambassim estourou, eu recebi muitos e-mails de fãs ingleses elogiando a música. Eu não tenho essa mágoa de ser reconhecida depois. Quando eu fui lançar o disco, eu recebi propostas de três gravadoras européias, mas fiz questão de lançar primeiro no Brasil.

Esse é seu primeiro álbum, e você o gravou sozinha. Como foi essa mudança das trilhas sonoras que você compunha e gravava para um CD seu?
Eu sempre quis fazer uma música mais voltada para o pop. Sempre adorei Titãs, Lobão, Cazuza. Por volta de 1998 ou 1999 eu comecei a me entusiasmar muito com o drum and bass, e isso influenciou muito minha música. Gravar o CD foi um pouco assustador porque a Trama é uma gravadora que dá muita liberdade. Mas acho que o resultado final foi o que a gravadora esperava quando me deu toda essa liberdade.

Você tem uma formação musical altamente erudita. Como surgiu seu interesse por essa mistura de música brasileira com o drum and bass?
O drum and bass me fez voltar a compor. Na faculdade eu sempre quis fazer música popular. Freqüentei o laboratório eletro-acústico, cheguei a ter bandas e cantar e compor músicas eruditas. Mas mão representava o que eu queria. O drum and bass me deu essa identidade.

Falando em identidade, como você se define? DJ ou cantora de MPB?
Acho que é mais simples. Faço canções brasileiras com roupagens eletrônicas.

Quando surgiu seu interesse em estudar música e seguir essa carreira?
Foi muito cedo. Eu tinha 8 ou 9 anos e já participava de concursos de música na escola. Eu tocava flauta transversal e tinha um piano em casa. Minha tia percebeu logo que eu gostava e todo ano me dava um instrumento de brinquedo. Aí quando eu tinha uns 14 anos eu decidi que queria fazer faculdade. Como só podia entrar na faculdade se eu tivesse me formado em algum instrumento eu resolvi fazer um curso de piano que dura oito anos em apenas dois.

E sua família sempre apoiou?
No começo eles não gostaram muito. Até por isso eu quis ir para a faculdade. Para mostrar que era uma coisa séria mesmo.

Muitos dos artistas com formação mais técnica desenvolvem um método de composição. Você tem algum?
Não. Eu sempre compus musicando uma letra. Nunca fui muito de fazer uma melodia só por fazer. Gosto mesmo de compor com um objetivo. Adoro poesia e pensamentos diferentes, tenho muitos livros e vou pegando idéias de letras. Muita gente também me fala que escreve poesia eu sempre peço para me mandarem por e-mail.

Quem ou que gênero você poderia citar como sendo um influência pra sua música?
Sou muito eclética. Adoro muita coisa, mas tenho fases. Mas em geral eu adoro Gil, Caetano, Chico Science, Titãs, Beck, Chemical Brothers, U2, Red Hot e Egberto Gismonti.

O que você ouve atualmente?
Tenho escutado muitas coletâneas, coisas variadas. Tenho também assistido muito ao DVD do Moby e da Björk.

Você já tem planos para um novo CD? No que você está trabalhando no momento?
Tenho alguns planos que estão em andamento aqui nos EUA. Eu tenho feito umas jams com Doug Winbish, o baixista, e Will Calhoun, o baterista do Living Colour. Os dois também têm se apresentado tocando drum and bass ao vivo e eu adorei o som deles. Além disso estou fazendo a trilha do filme Cabra Cega. O filme é do Toni Venturi com roteiro do Fernando Bonassi. Na trilha eu tenho remixado músicas brasileiras da década de 60.

E quanto a shows?
Dia 11 de setembro eu vou fazer um show no Tom Brasil Nações Unidas em São Paulo, depois volto para os EUA para tocar dia 22 no Joe's Pub em Nova York. Entre outubro e novembro vou fazer uma excursão pela Europa, e depois disso pretendo ir para o Japão para lançar o CD.