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De volta às mesmas batidas
Gazeta do Povo - Curitiba/PR

Fernanda Porto lança seu quarto disco Auto-retrato
Portal UAI / Estado de Minas

Fernanda Porto fala sobre "Auto.Retrato", seu terceiro álbum de estúdio
Virgula

Fernanda Porto em produção própria
Estado de Minas - Belo Horizonte/MG

 
 
 
 
 
 
 

De volta às mesmas batidas
Gazeta do Povo - Curitiba/PR: 10.06.09
Luciana Romagnolli


Fernanda Porto dispensa a banda e faz novo disco eletrônico. Canções extras e remixes estarão à disposição no seu site

Nem letrista nem intérprete. Fernanda Porto se sente confortável mesmo na condição de compositora e arranjadora de batidas eletrônicos rápidas, secas, fundidas a elementos da bossa nova e do samba. Aquela sonoridade marcante de “Sambassim”, o hit que abriu as portas para a carreira da cantora, muito ligada, naquele início, ao modismo do drum’n’bass, que havia estourado em Londres e, no Brasil, parece ter se colado ao seu nome.

Pois depois de desviar-se para outras ondas, em trabalhos acústicos e ao vivo, a artista retorna ao princípio, com o álbum Auto-Retrato (EMI). Mãos humanas começaram a moldar o disco, mas suas contribuições na bateria e no baixo foram dispensadas. “Até cheguei a gravar com banda, mas não estava conseguindo”, conta Fernanda. “Comecei a achar que a melhor sonoridade vinha das programações eletrônicas propriamente.” Sobrou somente a pianista Cristiane Neves para acompanhá-la.

Ainda que Fernanda assine todas as faixas, o conjunto não chega a delinear uma representação identitária, como o título do CD sugeriria. As canções não tratam do “eu”, mas, sobretudo, de “você”, o amor buscado, o objeto do ciúmes, aquele que a faz perder o tom. Dessa vez, as letras foram entregues a menos parceiros, grande parte, escrita pela própria Fernanda. “Não me sinto letrista. Quando escrevo, é sobre coisas muito ligadas ao que eu estava vivendo, vindas de algo realmente importante para mim”, diz.

Só duas não versam sobre amor. Uma é o pop “Auto-Retrato”, que abre o disco: “Pouco doce e muito sal/ O meu nome não é mesmo Gal/ Eu até me acho normal”, em que brinca com a cantora que mais ouvia na adolescência. Outra é a faixa de encerramento, o samba “Tem uma Vaga Aí?”, com arranjo pontuado por pausas inesperadas, respondendo às intenções de emprego.

Nos últimos dois anos, a Lua alta presenciou seus momentos de inspiração. “As músicas foram feitas ao violão e piano, em cidades diferentes, viajando. Sempre me surpreendia acordando de madrugada com uma ideia, não era nada planejado.”

Releituras de outros autores que outrora lhe deram projeção, como “Roda Viva” e “Só Tinha de Ser com Você”, ficaram de fora devido à angústia de lançar sua própria produção. “Meu dia-a-dia é compor, tocar. Não fico cantando o dia inteiro, nem buscando músicas diferentes”, diz, afastando-se da imagem de intérprete. “Na minha adolescência, nunca pensei em ser cantora. Quando comecei a mostrar minhas músicas é que as pessoas me diziam para cantar. Entrei na faculdade como pianista, passei para composição e regência. Fui fazer canto lírico para conhecer minha voz.”

As músicas excedentes não ficarão perdidas. No próximo mês, cinco estarão disponíveis para download (uma delas, gratuito) no site da cantora. Antes disso, dez remixes devem entrar no ar também pelo site. São recriações encomendadas a parceiros como o DJ Patife, DJ Ramilson Maia, DJ Mad Zoo, a dupla Drumagick, DJ Dinho Mk3, DJ XRS e DJ Red Skyn. “Acredito muito na força desses artistas, tenho curiosidade de saber como vão rearranjar meu trabalho. Já cheguei a gostar tanto das versões que eles fazem, que toquei mais do que as minhas nos shows.”

Fernanda Porto acredita que a música eletrônica vive uma fase saudável, em que novas cantoras, como Cibelle, Céu e Roberta Sá, têm incorporado seus elementos. Ela reconhece que pode ter influenciado essa aproximação com a MPB. “Pelo menos, as pessoas abriram suas cabeças para mais um lugar onde a música poderia estar: a pista.”

E vê vantagens para os brasileiros que misturam os estilos e se arriscam no exterior. “O ouvinte europeu está acostumado com essas batidas, procura coisas assim. Acho que a gente tem maior facilidade de ir para fora quando a sonoridade passa por essas coisas deles. Fica mais universal.”